Blog do Boleiro

Arquivo : dezembro 2015

Tite planeja 2016 e fala da boa fama: “Não me considero unanimidade”
Comentários 5

Luciano Borges

 

Tite não se considera uma unanimidade. O técnico campeão brasileiro de 2015, eleito como o melhor do Campeonato Brasileiro recusa esse rótulo. E não vê perigo algum nos elogios que vem recebendo nesta temporada que se encerra no domingo, depois da partida contra o Avaí.

Ele vai entrar em férias, a partir da semana esperando que a diretoria do Corinthians faça duas coisas: mantenha jogadores como Renato Augusto, Jádson e Ralf no elenco.

Sobre o volante, Tite diz que não pode entrar na discussão de contrato, mas que espera ter o atleta em janeiro: “O Ralf sabe a importância que o Corinthians tem para ele. E o Corinthians sabe a importância do Ralf. Fico na torcida”, disse.

E espara que os dirigentes tragam também  reforços que possam fortalecer o time.

O técnico divide as metas para o ano que vem em duas etapas iniciais. Na primeira, ele quer colocar o time no mesmo nível técnico, tático e físico que apresentou no final e 2016. Depois, a conquista da Copa Libertadores da América.

Em conversa via “whatsapp”, Tite falou com o Blog do Boleiro.

Blog do Boleiro – Tite, você está gostando de ser unanimidade?
Tite –
Não sou unanimidade. Não me considero unanimidade. Não me vejo desta forma não. Me considero um profissional em busca de crescimento, em busca de aperfeiçoamento.

Você acha perigoso receber este tratamento de melhor treinador do Brasil?
Não vejo nenhum perigo. Não vejo nenhum demérito ou supervalorização. Apenas aceito democraticamente o que as pessoas podem pensar, assim como as pessoas que não pensam desta forma. O meu estilo pode ser bem visto por alguns e não ser bem visto por outros. A minha preocupação maior é meu crescimento profissional. Quero estar bem comigo e ser fiel aos meus princípios, aos meus conhecimentos e ser fiel ao meu estilo. Isso eu considero mais importante.

O que você pensa implantar no time na próxima temporada?
Primeiro, é preciso retomar o estágio, o nível de futebol que nós terminamos nesta temporada. Este é o primeiro objetivo. As etapas têm que ser cumpridas. Eu não posso pensar em crescer sem retomar o padrão que nós estávamos no final do ano. Então, na volta das férias, temos que retomar o estágio individual e coletivo. Nisso, está a permanência dos principais atletas.

Você pensa em novidades táticas? Quais as variações que você pode aplicar em 2016?
As variações que temos implantado de 4-1-4-1 como um sistema. Tem o 4-2-3-1como uma variação. E duas linhas de quatro com dois atacantes como uma terceira alternativa. Isso vai depender muito também dos atletas que forem contratados. O objetivo um é a permanência dos principais atletas e o objetivo dois é, dentro da realidade financeira do clube, trazer alguns atletas que venham agregar qualidade à equipe.

A diretoria de futebol já sabe os jogadores que você gostaria de ter em 2016?
Eu quero dizer que uma direção de futebol e um clube de futebol  – e aí um esclarecimento para as pessoas que não conhecem como é a engrenagem – ela não está à mercê da vontade do técnico. Ela decide junto com o técnico. Então, o que nós fizemos? Nós, o presidente Roberto (Andrade), Andrés (Sanchez, superintendente), Eduardo (Ferreira, diretor adjunto), Edu (Gaspar, gerente de futebol), Alessandro (coordenador) e eu, sentamos e avaliamos aquilo que é importante de permanecer e onde nós precisamos acrescentar . Então não é a vontade do técnico ou vontade de um ou de outro. É de um grupo de pessoas daquilo que entende ser o melhor para o Corinthians.

Se o Alexandre Pato voltar, você vê o atacante jogando em qual função?
O Pato tem condições de jogar como atacante no 4-1-4-1 como o central. Ele pode jogar pelo lado no 4-1-4-1. No 4-2-3-1 também pelo lado. Das vezes em que trabalhou comigo, sempre pelo lado esquerdo onde ele produz mais. Ou em duas linhas de quatro com dois atacantes. Lembro que, quando nos jogamos contra o Tijuana, nós jogamos com o Renato Augusto de um lado. Jogou Danilo do outro. E jogou ele enfiado com o Guerrero. Então ele pode jogar como segundo atacante.  Então, o Pato pode jogar como último atacante, como penúltimo atacante. E pelos lados do campo, preferencialmente pela esquerda.

É bom ter no time dois armadores de talento como Jádson e Renato Augusto?
Eu vejo sim a formação do meio campo com dois jogadores dois jogadores de articulação, quatro no seu total. Independentemente do sistema, ela é importante para o desenvolvimento criativo, para o processo de finalização, de transições tanto ofensivas quanto defensivas. Não sei o meio de campo é o coração ou o cérebro ou os dois juntos de uma equipe. No início tinha o Renato e o Jádson, assim como teve eventualmente o Rodriguinho e o Danilo, jogadores da função como Elias, Bruno Henrique, Ralf  e Cristian. Este foi um dos pontos altos da nossa equipe neste ano.

Até onde o Corinthians pode chegar na próxima temporada?
É muito difícil tu estabelecer limites, mas uma coisa eu tenho certo: a equipe precisa estar constantemente em evolução. Vai depender da retomada, do crescimento, do amadurecimento, da permanência de seus principais atletas, de acréscimo de atletas qualificados. Esse é um processo que envolve os jogadores e o clube. O próximo passo que temos, terminado neste ano, é a conquista da Libertadores. Este é nosso próprio objetivo.

E os outros objetivos para 2016? Novamente: não sou que coloco. É um planejamento da direção em que eu estou inserido. Nós passamos de uma primeira etapa para uma segunda etapa. A primeira etapa foi o título nacional e a formação e consolidação da equipe. Uma segunda etapa passa a ser a Libertadores da América. Uma terceira, que é sonho e futuro, é o Mundial. Mas necessariamente, ela passa necessariamente pela segunda, pela manutenção de seus principais atletas, pela retomada do ritmo tal qual terminou este ano, e a partir daí crescer.


Zé Roberto volta atrás e diz que quer disputar Libertadores pelo Palmeiras
Comentários 25

Luciano Borges

Parar? Que nada. o ala e armador Zé Roberto não precisou de muitas horas para desdizer o que tinha dito ainda no gramado do Allianz Parque, pouco antes de levantar a taça da Copa do Brasil. Numa entrevista ao vivo para a Sportv, ele falou em se aposentar depois da conquista do título. Nesta quinta-feira, no final da tarde, voltou atrás: “Quero disputar a Libertadores da América pelo Palmeiras. Isso vale todo sacrifício”, disse ao Blog do Boleiro.

Dizer que estava pensando em parar foi um momento de emoção do Zé. Ele explicou: “Falei ali pensando na família, no sacrifício que eles têm que fazer enquanto treino, concentro e jogo. É desgastante. Naquele momento de êxtase, praticamente coroando uma longa carreira de vitórias e pensei em parar”.

O capitão do Palmeiras dormiu pouco. Chegou em casa às três e meia da madrugada. Só pegou no sono às cinco. Às 9h30 já estava saindo de casa, em Santana de Parnaíba, a caminho do banco. “Fui pagar contas”, disse. O prêmio pela conquista da Copa do Brasil e da vaga na Libertadores de 2016 ainda não foi definido. “O presidente ficou de acertar com o Alexandre (Mattos) e ele vai nos passar. Espero que saia antes da férias”, falou.

Em seguida, passou numa costureira para pegar as calças que encomendou. E voltou para casa onde almoçou com os três filhos e com a mulher, Luciana. É o que quer fazer mais na férias. “Quero descansar e curtir muito a família. Vou recarregar a energia para voltar bem em janeiro”, falou o jogador que deve passar o mês de dezembro em casa e na praia também.

Mas antes, Zé Roberto vai pedir para jogar contra o Flamengo, neste domingo no Rio de Janeiro. “Eu sou fominha”, disse.

Com a voz ainda rouca da comemoração no Allianz Parque, Zé contou que a festa no novo estádio palmeirense é comparável com as finais que venceu jogando na Alemanha, na Allianz Arena do Bayern de Munique.

“Só que aqui a atmosfera foi muito melhor. Quando a gente chegou no estádio e desceu do ônibus, tinha um corredor de torcedores do Palmeiras para nos receber. Ali foi o início do que a gente precisava viver para entrar em campo e ganhar esta decisão. Aqueles torcedores mostraram como o palmeirense é apaixonado”, contou.

O título conquistado na noite desta quarta-feira foi o primeiro desde 2011, quando Zé Roberto se sagrou campeão da Copa do Rei no Catar, jogando pelo Al Gharaffa. “Este grito de campeão estava entalado desde aquele dia”, afirmou.

Para voltar na próxima temporada em busca da conquista da Libertadores, o ala lembra que uma mudança na estrutura do Departamento de Futebol do Palmeiras será importante: “Até fevereiro o alojamento dentro da Academia de Futebol vai estar pronto. Não vamos mais precisar ficar em hotel, naquela limitação de movimentos. Isso vai ajudar bastante”, aposta.

No final da conversa, Zé Roberto mandou um recado para o torcedor palmeirense: “Amanhã, não sei onde você vai estar. Mas se você estiver no teu trabalho, se estiver na tua escola, na tua faculdade, no ambiente de família, amanhã você tem todo o direito de virar para alguém que vai estar do teu lado e pedir para ele bater no peito e falar em alta voz, dizendo que o Palmeiras não é grande não. O Palmeiras é gigante”


Ganso no Palmeiras? Envolvidos não confirmam nem desmentem. Leco diz: “Não”
Comentários 22

Luciano Borges

O rumor começou nesta terça-feira: o Palmeiras estaria interessado em Paulo Henrique Ganso. Já teria até entrado em contato com o representante do jogador e com o São Paulo. A história ganhou ares de mistério pela reação das partes consultadas pelo Blog do Boleiro.

O empresário Giuseppe Dioguardi  trocou mensagens pelo celular. A pergunta: “É verdade que o Palmeiras está interessado no Ganso?” A resposta: “Estas coisas quem tem que falar são os dois times. Não vou dar declaração nenhuma”.

O executivo de futebol do Palmeiras, Alexandre Mattos se saiu com uma palavra de ordem: “Foco só no jogo”, referindo-se à final da Copa do Brasil, na noite desta quarta-feira no Allianz Parque. A assessoria do presidente Paulo Nobre informou que, consultado, o dirigente negou a notícia.

O presidente do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva respondeu assim à pergunta se ele tinha sido procurado por dirigentes do Palmeiras para falar sobre Paulo Henrique Ganso: “Não. Não. Não”, falou e desligou o telefone porque estava no meio de um almoço.

As negativas dos presidentes foram as respostas incisivas. Dioguardi, Mattos e assessoria não negaram nem confirmaram a informação. No São Paulo, em mais de uma ocasião, o presidente Leco elogiou o futebol de Ganso. Pouca gente acredita que ele negociaria o armador.

Há quem, dentro do Palmeiras, garanta que o interesse existe e que o negócio já está em andamento. A contratação do meia formado no Santos, que custou cerca de R$ 24 milhões ao São Paulo para adquirir 45% dos direitos econômicos do atleta, serviria como a boa notícia de final de ano, com ou sem a conquista da Copa do Brasil.

O curioso é que o adversário da noite também estaria tentando atrair Ganso.

No mês passado, a notícia vinda da Baixada Santista informava que o Santos decidiu repatriar Paulo Henrique Ganso. Há duas semanas, o Blog do Boleiro consultou Dioguardi sobre se os dirigentes santistas estavam conversando com ele. Desta vez, ele foi mais incisivo: “Não falei com ninguém. Aliás, nem deve ser assim. Primeiro é preciso conversar com o São Paulo e só então, se os tricolores toparem, poderiam falar comigo”, afirmou.

O presidente santista, Modesto Roma Junior, não esconde que gostaria de ter Ganso no elenco em 2016. Acha o negócio difícil até porque precisa convencer a torcida do Santos a aceitar e acolher o jogador de volta. “Foi injusto fazer dele um vilão quando ele saiu”, disse o dirigente.

No meio da atual temporada, o Flamengo mostrou interesse em Paulo Henrique Ganso. O São Paulo descartou qualquer possibilidade de liberar o atleta.

 


Fabinho faz estágio no Corinthians e fica impressionado: “É um absurdo”
Comentários 4

Luciano Borges

Fabinho, 35, passou três dias da semana passada acompanhando o trabalho da comissão técnica do futebol profissional do Corinthians. Está impressionado. “O Corinthians hoje é um absurdo. O nível de organização e de trabalho é uma coisa que nunca vi”, disse o ex-jogador que está concluindo a formação para técnico de futebol.

O que mais chamou a atenção do volante que passou pelo clube paulista em duas oportunidades (2001/2004 e em 2008) é a mudança do técnico Tite, com quem trabalhou na primeira passagem.“Ele mudou muito. É mais um gerente que divide responsabilidades, planeja e determina o que cada integrante da comissão vai fazer”, falou ao Blog do Boleiro.

Fabinho viu Tite até mais comedido na preleção. “Em 2004, ele era empolgante, baia no peito da gente, fazia uma motivação forte. Agora, ele usa mais o discurso mesmo. Mas ele tem a mesma influência: o time já bateu campeão e ele quer a equipe no mesmo nível de competitividade”, afirmou.

O ex-volante está se preparando para ser técnico de futebol. Participou do curso da CBF e agora faz estágios. Passou quatro meses acompanhando o trabalho na base corintiana dos técnicos Osmar Loss e Márcio Zanardi, campeões nesta temporada com os times Sub-20 e Sub-15. Vai agora acompanhar a equipe profissional, mas precisa antes acertar com o superintendente de futebol, Andrés Sanchez.

Mesmo assim, na semana passada, ele passou três dias acompanhando a preparação do Corinthians para o jogo contra o Sport (vitória do time pernambucano por 2 a 0). Logo na quarta-feira passada, pela manhã, ele descobriu que a comissão começa cedo. “Cheguei uma 8h30 e os caras já estavam reunidos desde as 8 horas. Eles definiram como seria a atividade do dia”, contou.

Tite, depois de receber e analisar o material de vídeo preparado pelo Centro de Inteligência do Futebol, discute com os auxiliares Cléber Xavier e Fábio Carille como o trabalho de montagem do time será feito.

“O impressionante é que não se perde tempo. No campo, o Tite faz um trabalho com bola, movimentando o time. Depois, ele vai trabalhar bola parada e, automatricamente, os outros jogadores que não estão nesta atividade já se encaminham para outros trabalhos. Parece sincronizado. E o melhor é que ninguém fica de fora. Isso mantém a motivação”, falou.

Fabinho também gostou de ver como os jovens da base são levados para treinarem com os profissionais. Em 2004, quando foi comandado por Tite, ele viu o treinador subir uma geração de atletas promissores como Jô, Coelho, Fininho, Wendel e outros. “Mas agora tem mais garotos da base trabalhando já em cima. Isso é muito bom”, comentou.